Professor aposentado da UFAC faz produção independente de livro e vende nas redes sociais

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Professor Doutor e Palestrante- José Claudio Pofírio- Foto: Acervo pessoal

Eudes F. Góes

O escritor acreano de Xapuri José Cláudio Mota  Porfirio, autor do livro  O Inverno dos Anjos do Sol Poente está em campanha para promover  sua obra literária Para isso ele está usando as redes sociais, uma maneira de alcançar amigos e amantes da boa literatura.

Trata-se de uma literatura de viagem, um romance histórico que homenageia os sírios, libaneses, portugueses e por último os cearenses que foram viver no interior dos seringais do Acre, chamados pelo autor de anjos.

Na obra o personagem central nasce em Baturité, no Ceará, e  após estudar em Belém se aventura floresta adentro, indo parar em Xapuri, onde participa da tradicional Procissão de São Sebastião.

José Claudio Porfirio pretende despertar o leitor para o fato de que o Brasil não foi feito por si próprio, mas sim pela miscigenação de povos no interior do território brasileiro.

Em sua exposição, o autor lembra que primeiro chegaram ao Acre os cearenses (nordestinos); depois os sírios e libaneses, por questões religiosas na Ásia e, por último,  entre 1910 e 1915, os portugueses.

O escritor destaca  que nada foi feito por acaso, e que todos chegaram no Acre com sonhos que na maioria das vezes foram realizados.

Repórter: Claudio você busca uma conotação espiritual para sua obra?

José Claudio Porfírio: “Sim, e isso porque nós somos anjos encarnados  e quando o nosso corpo mais precisa da nossa alma, que é no dia da nossa morte, a alma vai embora e deixa a carcaça e o corpo inerte apodrecendo entregue aos bichos, por isso somos anjos e após a morte estaremos em outros mundos, fazendo ouras obras”

Repórter: E essa questão espiritual passa pelo Espiritismo ou por uma religião mais tradicional?

José Claudio Porfírio: “Não, eu não gosto de passar para o meu texto questões religiosas, exatamente como a doutrina de Alan Kardec, a respeitável doutrina espirita, no entanto essa é uma realidade humana: o corpo, a matéria  está impregnada de alma de espirito, e por isso somos anjos”

Repórter: O que você tem a dizer sobre a situação do povo acreano?

José Claudio Porfírio: “Historicamente o acreano se inseriu na historia do Brasil meio que na marra. Só que no conserto dos estados nós temos uma história mais brilhante, uma história de lutas, de heroísmo inclusive, em que pese o fato de a revolução acreana ser discutível, porque não existiu uma revolução acreana com o objetivo de tomar o Acre dos bolivianos. O que existiu na realidade foi uma carnificina de pobres contra pobres, com o objetivo de o capital levar vantagem, comprando  toda a borracha e negociando, fosse o Acre boliviano ou brasileiro”.

Repórter: Como se manifestou esse capitalismo que atuou na região?

José Claudio Porfírio: “O que o Bolívian  Syndicat queria era negociar toda a borracha da Amazônia a preços altíssimos pelo mundo inteiro. E com os acontecimentos que foram as duas guerras mundiais a borracha teve um valor imenso na guerra, e isso fez com que os Estados Unidos, a Holanda e a França, ganhassem muito dinheiro em cima dessa revolução”.

Repórter: O senhor é de esquerda?

Cláudio Porfírio: Sim eu sou de esquerda, eu fiz mestrado e doutorado na Unicamp, reconhecidamente um dos centros comunistas mais avançados do Brasil. Mas politicamente eu me insiro no contexto que a esquerda quer a felicidade entre todos  os humanos. Quem não é esquerda é porque nunca esteve no sertão nordestino ou numa Favela do Rio de Janeiro ou nunca viu o sofrimento de um ribeirinho ou de um seringueiro. Portanto, a minha felicidade não é apenas minha  se ela não for compartilhada com os outros. Por isso eu sou esquerdista”.

Repórter: Você se considera uma altruísta?

José Claudio Porfírio: “É, eu diria que sim, apesar de  estar meio que em uma ilha ideológica onde alguns poucos tem o conhecimento da realidade dos desvalidos e dos mais pobres desse país. Esses poucos são os intelectuais que têm esse conhecimento. Por isso eu me consideraria um altruísta”.

Sobre o corrículum do professor:

Foi funcionário da Universidade Federal do Acre durante 37 anos, dos quais  passou como diretor ou coordenador, inclusive de RH.

Por apenas R$50,00 (Cinquenta Reais)

JOSÉ CLÁUDIO MOTA PORFIRO, O AUTOR
Estudou as primeiras letras no Colégio ‘Divina Providência’, das freiras (italianas) da Ordem das Servas de Maria, em Xapuri, Acre, Brasil. Graduou-se em Letras / Português / Inglês pela Universidade Federal do Acre. Cursou Mestrado e Doutorado na Unicamp (Universidade de Campinas), São Paulo, Brasil. É assíduo cronista e articulista do jornal A Gazeta, de Rio Branco, Acre. É professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação da Secretaria de Educação do Estado do Acre.
Convém afirmar que dizem dele ter algum talento, no entanto é pobre e sem arrimo, mas também não quer tanto dinheiro, a não ser o justo e o merecido.

José Claudio Pofirio, atualmente é palestrante da rede de escolas federais IFAC.

 

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